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21 de outubro de 2011

A VIAGEM INAUGURAL DO CAMINHO DE FERRO GUIMARÃES - FAFE

A 25 anos do fecho da linha do caminho Guimarães - Fafe, publicamos aqui um documento precioso para a memória de um dos mais importantes progressos em Fafe dos inicios do século XX.
"Illustração Portuguesa" era o título da revista  que acompanhava semanalmente o emblemático jornal "O Século". Reproduzimos aqui o texto original e as cinco páginas profusamente ilustradas com fotografias históricas dedicadas à inauguração do comboio em Fafe.



Capa do nº 76 de 5 de Agosto de 1907

Com desusado brilho, foi inaugurada no dia 21de julho esta nova linha, situada n’uma das regiões mais pittorescas e alcantiladas do Minho.
Pertence este novo troço, de cerca de 22 kilometros, à Companhia do Caminho de ferro de Guimarães e constitue o prolongamento natural da sua rede.
Sae esta nova linha da estação de Guimarães agarrando-se ao magestoso monte da Penha, encimado com a estatua de Pio IX e um pittoresco hotel, e, durante quatro kilometros, sempre subindo, vae-nos mostrando soberbos panoramas que se estendem desde a cidade de Guimarães até ás alturas do Sameiro.
Rodeado um contraforte do monte da Penha, entra-se então no extensissimo valle de S. Torquato.
1 - Tunel de Paçô Vieira. À entrada o Engenheiro Ferreira de Lima e o pessoal de serviço.
2 - Conde de Paçô Vieira
3 - Locomotiva de Construção
4 - Emgenheiro Francisco de Lima e o chefe dos trabalhos
1 - Tunel de Paçô Vieira em construção
2 - Corte de ferros na Estação de Fafe
3 - Assentamento de linha
4 - Trincheira do Serro
5 - O primeiro comboio de serviço que chegou à Estação de Paçô Vieira em 1 de Dezembro de 1906. Os srs. Visconde de Guilhomil, Conde de Paçô Vieira, Engenheiro Francisco Lima e esposa.
É deslumbrante o panorama que a vista alcança; admiram-se no fundo do valle, que vamos percorrendo, os campos viçosos cercados pelas pittorescas arvores de vinho, o vinho d’enforcado.
Ao longe admira-se a massa imponente do sanctuario de S. Torquato, que todos os annos dá origem a uma romaria das mais concorridas do Minho.
Ao longe, no ultimo plano, meio esfumadas, mas imponentes, erguem-se as cumiadas do Gerez.
Passamos outro tunnel e entramos na estação de Paçô, situada no ponto mais alto do traçado, a 150 metros de desnível da estação de Guimarães.
A algumas centenas de metros fica situado o solar do sr. Conde de Paçô Vieira, em privilegiada situação.
D’esse ponto começa a linha a descer n’outro extenso e formoso valle, o de Fareja.
1 - Uma toma de água provisória
2 - Trincheira (53), trabalhos de acabamento
3 - Ponte do Sousa, conclusão da abóbada
4 - A pedra da Moura em Cepães

1 - Estação de Fafe em construção
2 - Trincheira do Serro, trabalhos nos talúdes
3 - Guimarães, passagem superior
4 - Fafe, aterro em construção

É a secção mais difícil e trabalhosa do traçado. Em alguns kilometros accumulam-se enormes trincheiras e aterros. Há n’essa secção pontos de vista deslumbrantes, especialmente no logar do Sevello, em que foi modificado o traçado primitivo, supprimindo-se um tunnel. Perde-se a vista desde as alturas da Penha até às cumiadas de Lixa. Encontra-se a pequenina estação de Fareja perdida na montanha e passados instantes atravessamos uma sólida ponte de pedra situada sobre o pittoresco rio Sousa, que faria o enlevo dos pintores paizagistas. Começa a ultima subida, mais suave, para Fafe, aonde chegamos deixando á nossa direita a importante povoação de Cepães. Pouco antes de entrar em Fafe outro extenso panorama se desenrola á vista, desde as immediações da Póvoa de Lanhoso até Fafe.
1 - Fafe - assignatura do auto da inauguração
2 - O comboio inaugural em marcha sobre um aterro
3 - A machina do comboio inaugural e o seu machinista o sr. Engenheiro Francisco Lima
4 - A chegada a Fafe

Deve-se a remoção das dificuldades da construção d’esta linha ao sr. Conde de Paçô Vieira, quando ministro.
A construção foi dirigida pelo sr. Engenheiro Francisco Ferreira de Lima, que reviu o traçado supprimindo obras de arte importantes, como dois tunneis, e fazendo importantes economias. 
Fonte: “Illustração Portugueza” nº 76 de 5 de Agosto de 1907
“Hemeroteca Digital” Câmara Municipal de Lisboa

2 comentários:

Anónimo disse...

O que aqueles homens deviam ter lutado para trazer o comboio até Fafe. Que falta de respeito, pelos antepassados.
os apitos e o barulho das ferragens do comboio alegravam a nossa vida. As pessoas regulavam a hora de levantar e das lides pelo apito da fabrica do ferro e pelo comboio.Um bem haja pelo seu excelente trabalho.

Jesus Martinho disse...

Muito obrigado amigo.